Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Maxillaria schunkeana’ Category

Só queria brincar mais um pouco no quintal, caçar grilos, subir na goiabeira, conversar com os gatos.

Não quero tomar banho agora, está cedo para dormir.

Conta a história do sapo que caiu da festa do céu?

Avós duram sempre menos do que a gente gostaria.

Read Full Post »

Que bom que tenho terapia hoje.
Precisando botar a confusão pra fora
e trabalhar ela.

Que nem argila nos tempos da escola.

Read Full Post »

Gaita

Os pulmões
sopram vento de vida
na gaita que canta
vitória.

Ainda vejo
a cara da morte
na cara dele:
ossos pronunciados
cobertos de pele amarelada.

Mas o sorriso do menino
derrete a foice da velha.

Read Full Post »

Chatinho

Sabe um bebê chatinho, daqueles que tem hora pra comer, pra dormir, pra tomar banho, pra brincar, pra fazer xixi e cocô? Daqueles que dorme profundamente no carro – chega a roncar – e quando chega em casa acorda e aí não há Cristo que faça dormir? Sabe esse tipo de bebê que já nasceu caprichoso, cheio de vontades, reclamão? Um bebê que sabe o que quer, ou melhor, sente o que precisa. Manda no pai e na mãe. Até nos irmãos. E se passar um minuto da hora de dormir abre um berreiro. Isso sem falar nos rituais. Leite quente, meia luz, cobertor até às orelhas, meias nos pés – vai tirar à noite, mas não dorme sem de jeito nenhum.

Demorei 33 anos para perceber que continuo sendo esse bebê. Agora tenho que aprender a respeitá-lo, a conviver bem com ele.

Read Full Post »

Todo dia
posso escolher
entre quatro restaurantes
para comer:

o mal humor da Maristela,
o barulho do quilo,
a lerdeza da Claudia,
o “de sempre” da japonesa.

Hoje
não tenho certeza
do que quero encarar.

Ai que saudades
da torta de frango da mamãe.

Read Full Post »

Pia da Casa das Rosas

Saindo da Casa das Rosas,
esqueci o caminho
de volta pra casa
e segui o skatista
até o fim da Avenida Paulista.

Achei que ia encontrar
o mar. 

Trinta anos em São Paulo
e ainda não me conformo
que no fim da Avenida Paulista
não tem nem um riachinho,
nem uma lagoa turva
pra pescar tilápias e lambaris.

Read Full Post »

– Mãe, uma formiga me picou.
– Deixa eu ver. Não foi nada, vai passar.
– Mas tá coçando.
– Não coça, filha, se não o veneno espalha e aí vai coçar mais ainda.
– Olha, mãe, tá ficando vermelho.
– Eu não falei pra você não coçar?
– Mas eu não aguentei. E agora tá ardendo muito.
– Dá sua mãozinha aqui. Vamos colocar debaixo da água gelada, vai aliviar.
– É, melhorou. Mas ficou um pontinho vermelho.
– Isso se chama cicatriz. Ou poesia.

Read Full Post »

Older Posts »