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Archive for novembro \25\UTC 2011

Concha

Menino franzino,
você reparou
que lá de cima
a Vênus de Botticelli
está completamente nua
e contempla
as tuas mãos desvairadas?

Nesse desfiladeiro de notas
em que você se enfiou,
na avalanche de dós
que te franze o cenho,
não é possível
um final feliz.

Mas lembre-se, menino:
a distância entre vocês
é de apenas
um longo veludo vermelho.

A moça branca saiu da concha
só para ouvir você.

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Ontem fui num recital
no Municipal
e decidi:

Quero um piano de cauda
no meu quintal.

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Sou o que sobrou de mim

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Osso

Hoje tô um trapo, em frangalhos, escangalhado.

Um fiapo esgarçado, resto que rasteja, um bagaço no poço.

Um caco estilhaçado, fiasco fracassado. Hoje tô no osso.

Tudo por causa… daquele moço.

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Quasar nude

O não-figurino. A não-coreografia. A não-música. A não-cor. A não-dança.

Estou cansada de tanta negação. Ontem fui  ao Teatro Bradesco, no Shopping Bourbon Pompeia, ver o balé Quasar. Fazia tempo que eu não via esta companhia, que gosto muito. Me decepcionei, porque esperava que os bailarinos se movimentasse de pé, e não deitados. Com roupas, e não de cueca, calcinha e blusas que pareciam pijamas, sempre brancos, beges ou “nude”, como a moda manda dizer.

Pelo menos o piso era deslumbrante: um tapetão quase branco – offwhite, gelo ou algo assim – fofo, daqueles gostosos de pisar descalço com pés molhados, saindo do banho quente.

Já vi Pina Bausch duas vezes, Corpo, Deborah Colker e outras trupes contemporâneas algumas vezes. Mas não entendo nada de dança, apenas gosto bastante. E está cada vez mais difícil assistir um espetáculo que vá além do break tropical, aqueles movimentos tortos, malemolentos, entre o robô e a boneca de pano, ao som de um samba-Céu com toques eletrônicos de fábrica. Os super bailarinos desafiam a lei da gravidade e tantas outras, mas muitas vezes parecem peixes fora d´água, agonizando na pia.

Adoro ver coxas e bundas e abdomes perfeitos engalfinhando-se no palco. Sim, desperta meu apetite sexual, amplia minha percepção sensitiva de mundo. E depois? O que os corpos embolados no chão querem dizer? Qual é o conceito? Se for a imagem pela imagem, vira um pornô de luxo, eunuco ainda por cima.

Ah! Gostei muito da iluminação, impecável, criativa, colorida. Mas é a mesma sensação de quando você sai do cinema, alguém te pergunta se gostou do filme e você só consegue dizer “A fotografia é maravilhosa”. Nas entrelinhas, algo como “o resto é uma merda”.

Sei que faz tempo que a arte é mais do que o retrato do belo, mas não custa harmonizar um pouquinho, né? Acho que estou ficando velha, ranzinza. Melhor assistir House em casa ou ler Pornopopéia.

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