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Archive for setembro \29\UTC 2011

A mosca volante voltou.
Pousou dentro do meu olho esquerdo.

(Ou será que sempre esteve lá
e eu me acostumei com o ponto preto
que agora me azucrina?)

Meu olho é um fóssil
e a mosca pré-histórica
vez ou outra se solta
do âmbar
a me perturbar.

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Deu no Estadão hoje, na coluna Paulistices do Edison Veiga:

Versos urbanos. A importância da poesia de rua – essas oferecidas, algumas vezes de forma insistente, em points culturais da cidade, como o vão livre do Masp – será o tema de debate marcado para sexta, às 19h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima
(Rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros. Tel.: 11 3082-5023).

Eu sou o contraponto, a “ovelha branca” que vai ter coragem de dizer que odiava ser abordada pelos poetas de rua nos bares da Vila Madalena, na porta do Masp, na Paulista e em outros lugares. Ao ouvir o temível “você gosta de poesia?”, eu respondia “não”. Mas que agora até compro um ou outro livro, converso com o poeta, dependendo do meu humor… Vivendo e aprendendo. 

Estarei ao lado de Tiago Mine, Antônio Vicente Pietroforte. Mediação de Heyk Pimenta.

Apareçam!

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Cereal matinal

Acordei assim:
com você dentro de mim.

Como foi que entrou aqui?
Pulou o muro?

O Romeu amanheceu faminto,
de pau duro,
e veio comer
a buceta da Julieta?

Onde você está com a cabeça?

Não se esqueça que meu pai
dorme na sala

e se te pega,
te estraçalha,
te pica em mil,

igual cereal matinal.

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Não posso deixar
esta sombra
sussurrar ameaças
no meu ouvido.

Sentar no canto do meu quarto…

Ou esconder-se debaixo da minha cama
como um monstro infantil.

Esta sombra será sempre
menor do que eu.

Faça chuva ou faça sol

Ela vai ter que parar de crescer
porque eu sou a dona do corpo.

Eu sou a obra original.

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Fumaça de Maria

O problema não é a caixa
de bombons
devorada em tempo record mundial
nem o milkshake com cobertura
extra
às 9h30 da manhã.

O problema é mais amargo, Maria.

São as locomotivas emperradas
que fervem e soltam fumaça,

desesperadas,

que você soterrou no deserto
de dunas fixas.

Maria,
largue esses papeizinhos coloridos
esses doces ilusórios
e use toda a sua força para
botar os trens nos trilhos.

Se não a fumaça
vai continuar a ferver
– até derreter –
a sua cabeça.

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