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Archive for abril \20\UTC 2011

Pia da Casa das Rosas

Saindo da Casa das Rosas,
esqueci o caminho
de volta pra casa
e segui o skatista
até o fim da Avenida Paulista.

Achei que ia encontrar
o mar. 

Trinta anos em São Paulo
e ainda não me conformo
que no fim da Avenida Paulista
não tem nem um riachinho,
nem uma lagoa turva
pra pescar tilápias e lambaris.

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Descomunal

Daria para encher um balde
daqueles bem grandes, de faxinar,
com o sono que eu estou.

Daria para arrebentar
o vidro grosso da porta
do salão de festas.

Daria para atravessar
uma piscina olímpica
de olhos fechados.

Daria para dar
a volta ao mundo
em um segundo:
é só cochilar.

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Depois de uma semana estranha – como você pode ler em post anterior – boas surpresas aconteceram. Entre elas:

No sábado, saiu a primeira resenha sobre meu livro, no Estadão, caderno Sabático. Eu não fazia ideia que ia sair e só vi ontem, porque um amigo me avisou.  Fiquei surpresa com o destaque que o autor, Moacir Amâncio, deu ao meu humor. Até pouco tempo atrás, eu nem sabia que tinha isso, era uma moça séria demais, com um texto mais para o cartesiano. E a crítica que ele faz também pode ser um elogio, já que me compara a Oswald Andrade, com seus (ou nossos…) poemas pílulas, “que se tornou fórmula e tem público cativo”.

Segue abaixo a imagem e a parte do texto que me cabe.  Estou muito orgulhosa de mim mesma. E mais motivada a continuar escrevendo.

“A jornalista paulistana Analu Andrigueti, de 1977, pode oscilar entre o humor e a constatação do insuficiente, da frustração, de nunca chegar lá, no tempo, no espaço, nas relações. Seus poemas de temática erótica funcionam melhor quando optam pela tonalidade franca e talvez risonha. O humor, à primeira vista, redime, mas na verdade ressalta impiedoso a mesmice das cenas e a angústia diante das emoções fugidias. Em certos momentos, Analu se expõe a um tom oswaldiano que se tornou fórmula e tem público cativo, mas compromete a própria poesia desse Andrade e mostra o limite histórico dos seus procedimentos. Veja-se o seguinte poema: “Meu terapeuta disse que não sou bipolar,/mas bivalente.//Para nós duas dá na mesma.” A Matadora de Orquídeas, seu livro de estreia, abre outra aposta, além da erótica, num texto como o da pág. 48: “Kafka bateu na minha porta/e pediu para eu experimentar.//Ensinou a esticar o braço,/tomar na veia,//injetar um pouco / de sangue de barata / e ver no que dá.” Topar o clichê kafkiano é de suas melhores saídas pelo espaço (fechado), do humor.”

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Apesar de eu não ser uma Fernanda Montenegro, me senti um pouco como a atriz de Central do Brasil durante o Correio Elegante Literário na Virada Cultural. A ideia foi do Sesc Ipiranga – Mônica, obrigada pela oportunidade inesquecível! – que convidou três escritores para traduzirem os sentimentos das pessoas, para ajudarem os amantes a se declararem por meio de cartas, esses “animais” em extinção.

Deborah Goldemberg foi a primeira e fez um belo relato no blog http://ressurgenciaicamiaba.blogspot.com/. Depois veio a minha vez. Por último, o arrudA.

A grande surpresa foi a participação das crianças, curiosas por natureza, destemidas, falantes. Escrevi para a tia de uma, que mora longe, para o coelho da Páscoa, para o amigo da escola… A mais emocionante foi uma garota de uns 6 anos que pediu para eu escrever uma carta para o pai dela, pedindo para ele não brigar mais com a mãe e voltar a morar junto com elas. Complicado esse mundo de encontros e separações…

No meu “consultório sentimental” de papel, também atendi um russo apaixonado por uma professora – ficou meia hora me ensinando um soneto de Camões e eu não sabia como dispensá-lo – e por último uma jovem que queria ser mais romântica, já que o namorado é artista e reclama dos “baldes de água fria” que recebe dela. Complicado esse mundo de inversões…

Foi um domingo diferente. Gostaria de repetir. A Deborah e eu estamos abertas a convites de escolas, clubes, bares etc que quiserem colocar um pouco de literatura no correio elegante da Festa Junina.

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Um mês sem comprar nada. Ou quase nada. Nem um grampo de cabelo.

Inspirada pela ousada promessa de uma amiga minha – que certamente consome mais do que eu e decidiu passar quatro meses (!!!!) sem adquirir roupas ou cosméticos – decidi, na noite de ontem, dar um basta nessa deliciosa fissura de entrar de loja em loja atraída pelas promoções. E chorar baixinho ao abrir o extrato do cartão. Quero provar pra mim mesma que sou uma mulher adulta, sensata, capaz de resistir ao assédio midiático e guardar uns trocados no fim do mês para a previdência privada.

Você deve estar pensando “ah, um mês é baba”. Então venha aqui trabalhar no Bom Retiro, onde para chegar no restaurante onde almoço quase todos os dias sou obrigada a olhar as vitrines de sete lojas de roupas, duas de sapatos (incríveis!), uma de artigos esportivos, uma de cosméticos (baratíssima), três de bolsas e uma de bijus. “Mude de trajeto”, poderia ser outra sugestão alheia. Mas te garanto que a única diferença será a proporção das lojas: mais bolsas e menos roupas, ou vice-versa.

A minha resolução – porque chamar de promessa pode soar como heresia – começa na segunda-feira, dia 18. Não, não posso me descabelar no final de semana e comprar a Zara inteira. Após uma análise apurada das minhas reais necessidades, decidi que até segunda posso acrescentar ao meu guarda-roupa apenas três itens imprescindíveis. E tentarei gastar menos de R$ 100 em cada peça e vou começar procurando na C&A e Renner, além do Bom Retiro, claro:

1 – uma calça jeans: tenho duas, sendo que uma está esgarçada nos fundilhos. Vou doar pra Casa do Zezinho, porque uma amiga disse que não posso nem usá-la em casa.

2 – uma calça preta ou cinza chumbo, mais social: a minha tem uns 8 anos, abriu inteira na lateral da perna direita. A costureira disse que a linha apodreceu de tanto lavar e secar na sombra, mas eu acho que a culpa é da azeitona da empada…

3 – um (ou dois…) biquíni: vou passar o feriado na praia, com amigas (e todo mundo sabe que mulheres se arrumam para mulheres). Tenho 3 biquínis do verão de 2009, sendo que o aro do bojo que eu mais uso me cutucou outro dia, fujindo da lycra.

Ah, também não posso me satisfazer comprando presentinhos para os outros – olha o Dia das Mães aí gente… –, nem descontar na comida, em restaurantes japoneses ou bistrôs franceses, porque aí o estrago no bolso será o mesmo. Ou até pior.

Estão na minha lista negra momentânea: roupas, sapatinhos (tem uns lindos por R$ 40 aqui do lado do trabalho…), bolsas, cintos (tô precisando tanto de um colorido, fininho…), bijuterias (nem um brinquinho de R$ 5!), relógios, óculos, calcinhas, meias etc.

Acompanhe minha saga aqui até 18 de maio e reze por mim – mesmo se for ateu, porque vou precisar.

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Segunda-feira: Eu e todas as amigas com cólica. Ferormônios ajustados mesmo a distância?
Terça-feira: Chuva de virar o guarda-chuva do avesso. A barra da calça e a sandália afogaram-se.
Quarta-feira: “Em virtude de um show de rock não há táxi disponível”. Todas as centrais dizem a mesma coisa. Imaginem na Copa…
Quinta-feira: Linha verde do metrô parecendo linha vermelha. Três trens lotados até eu conseguir embarcar na Vila.
Sexta-feira: ??? Ai que medo…

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Pessoal,

Hoje saiu essa notinha no Estadão sobre minha participação na Virada Cultural, neste domingo, dia 17, junto com Deborah Goldemberg e o arrudA.

O correio elegante literário acontece no Sesc Ipiranga, rua Bom Pastor, 822, das 12h às 18h. Estarei lá das 14h às 16h para ajudar quem quiser a escrever cartas de amor (e desamor).

Apareçam!

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