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Archive for agosto \27\UTC 2010

(meu método)

Meu amor,
permaneça imóvel.

Assim mesmo:
o corpo inerte
a mente branca.

Segure os espasmos
contenha os pensamentos
mantenha os olhos estatelados.

Prepare-se:
vou entrar em você.

Sem sonda cateter tubo injeção.

Vou entrar em você.

Não será pela boca ouvidos narinas poros ânus.

Vou entrar em você
suavemente,
sem solavancos.

Meu amor,
não tente entender
meu método único
de amar.

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Sou de falar pouco
meio bicho do mato
sem cachorro.

Sou de sofrer à toa.

Tô louca pra dançar
um Tango em Paris.

Eu sempre te quis.

Mas já aprendi
a te esquecer
por aí,
num banco de metrô
azul celeste,
preferencial.

Paro no farol
porque não aprendi
as cores.

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Encontros

Na entrada,
Jesus dá passagem para Chico Xavier.

No banco,
Nietzsche conversa civilizadamente com Kant.

Kafka reconhece Stephanie Meyer
no Crepúsculo.

O metrô é a única democracia
possível
entre nós.

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Aprendi a cozinhar
untando forma,
enrolando brigadeiro,
queimando a língua.

***

Queria ser bailarina
subir na sapatilha de ponta
e alcançar a sua boca.

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Espada

Não venha me desafiar
com palavras agudas.

Só aceito duelo
se for pra matar
ou morrer.

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Reprise

Está gravado
na minha pele

num lugar secreto
sem receita
nem direito à reprise.

Não sei onde você estava
com a cabeça.

Os pés,
na cabeceira.

O sentido invertido
deu certo.

Eu queria muito
múltiplos
de novo.

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Perdi a festa
Perdi o casaco
Perdi o tesão.

Perdi a fome
Perdi a hora
certa.

Perdi as estribeiras
Perdi a cabeça
de vento.

Perdi um filho
pródigo
Perdi as certezas.

Perdi a conta
de quantas vezes
já perdi.

Perdi tanto tempo
me perdendo de mim.

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