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Archive for março \31\UTC 2010

Por que você me olha assim,
de soslaio,
se a única saída
para o nosso beco
é o céu?

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Pé de cachimbo

Domingo vou passar o dia na piscina
fazendo contas.

Depois, uma caminhada
por labirintos sem fim

E um banho para refrescar
a cabeça quente.

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Foi a pitada de tristeza que me fez adiar este post, perambulando pela minha cabeça desde que a má notícia chegou: a morte de José Mindlin, o amante de livros – pra não dizer bibliófilo, palavra muito feia – que tive o prazer de conhecer.

Hoje li o belo texto do Ronaldo Bressane no Brasil Econômico de 06.03. Falava sobre uma aventura desse senhor cultíssimo e simplíssimo, no Capão Redondo.

E aí veio tudo na cabeça. Difícil traduzir cinema em palavras.

Era 1994. Eu acho. Meus cabelos compridos alcançavam os peitos e eu usava conjunto de moletom.

O avô do meu primeiro namorado era famoso – confesso que nunca tinha ouvido falar nele até então, talvez porque eu tivesse 15 anos e só pensasse em handball e beijo na boca.

O tal José Mindlin tinha uma empresa grande e uma biblioteca gigante no quintal. A empresa não me interessava, mas a biblioteca… Fui convidada para um almoço de família, com a desculpa de que precisava estudar Trovadorismo para o vestibular.

Quando, na escola, me falaram que o velho Mindlin era rico e fino, fiquei preocupada, imaginando que teria de comer caviar seguido de magret de pato ou qualquer outra coisa repugnante ao meu paladar “carne de vaca”. E os talheres!? Como eu faria para manejar aquele monte de prataria enfileirada? Senti um aperto no estômago, um prenúncio da gastrite que me acompanharia na adolescência.

Qual não foi minha surpresa ao ser recebida pelo simpático casal de velhinhos, José e Guita, com uma macarronada ao sugo com frango assado. Igualzinho ao almoço de domingo na minha casa! De sobremesa, balas de ovos, uma iguaria que José amava. Menos do que os livros, claro.

José Mindlin me fez ficar tão à vontade que nem percebi o peso dos talheres. De prata, claro.

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Dia da poesia

Eu também não sabia, mas ontem foi Dia da Poesia. E para comemorar, a Folha Online fez uma matéria com áudio.  A repórter Paula Dume é uma entusiasta do nosso santo (?) ofício!

Clique AQUI para ler matéria , com  Fabricio Corsaletti, Ana Rüsche e EU. Aliás, uma honra estar ao lado desses dois, que já têm livros publicados (e são feras).

Coloquem os fones e ouvido e… boa viagem!

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O marinheiro negro
me pescou
no raso. 

Sem anzol nem rede,
foi na mão mesmo.

No samburá
me debati
tudo o que pude.

Quase morri
de tanto escapar.

Até que cansei
e larguei
o corpo
depois a alma.

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Se eles podem
eu também quero

virar a cara pro lado
ficar de boca calada
dormir depois de transar.

Sem a menor culpa
de abandonar
quem acabou de dizer
“eu te amo”.

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Ele quer morder
a tilápia que voa.

Vai atras do caramujo
e do carro com fumaça saindo.

Está olhando
uma garça bem magrela
do lado do campinho de futebol.

Da boca dele
sai fogo.

Tem um dragão
nas nuvens.

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