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Archive for fevereiro \24\UTC 2010

O melhor remédio para celulite
é a miopia.

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Manchete

Eu queria ter
uma boa notícia
pra te contar.

Uma grande notícia,
daquelas que causam
sorriso abraço beijo champagne.

(Notícia que move
a vida pra frente)

Queria que minha boca
se enchesse de orgulho
– felicidade derramada no ar –
e te contasse cada detalhe
da minha nova ideia saga vitória.

E você me abraçaria forte
me tiraria do chão
me giraria
e me pousaria
na rede azul da sacada
da nossa casa
que nunca existiu.

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Marítimo

Não quero acordar
dessa praia
dos sonhos.

Se eu abrir os olhos
o morro verde
será tomado por edifícios,
eu sei.

Até as nuvens
serão dizimadas
e o horizonte
vai se perder no céu,
eu sei.

A areia branca
tingida de asfalto.
O rio que adoça o mar
no fim da tarde,
espremido entre Marginais,
eu sei.

Se eu acordar
dessa praia,
só me restará a concha
que roubei do mar.

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Não gosto da metalinguagem da poesia,
do poeta que lamenta a falta de ideias
autopiedoso
do poeta que conta seus segredos
medroso
do poeta que aparece demais no poema.

Prefiro o poeta transparente
o poeta fantasma
o poeta pirata
o poeta que paira sobre o poema.

Nunca reclamei das palavras
que me faltam
nem das que me sobram.

Amo as palvras
– todas elas -,
das mais chinfrins
às mais rebuscadas,
passando pelos chavões
e palavrões.

Odiados na sala
e amados na cama,
os palavrões são nomes
de coisas bonitas
em bocas transtornadas.

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Lógica – parte II

(poema reciclado, seguido de paráfrase materna de primeira qualidade)

Eu queria muito saber
por que os morangos nascem no chão
e as jacas, no alto das árvores.

***

O Morango e a Jaca

Por Mariza Andrigueti

Estava o Seu Morango, vermelho e brilhante, reclamando da vida porque vivia pendurado no topo de uma árvore frondosa:

– Deus, ó Deus, por que eu tenho de ficar aqui em cima o tempo todo, exposto à força do vento, se a Dona Jaca pode ficar lá embaixo esparramada no chão quente e seguro?

A jaca, que olhava para o céu azul, resmungava entre os dentes:

– Deus, ó Deus, por que o senhor foi tão injusto comigo, desprezando-me aqui no chão escaldante, cheia de espinhos a me penetrarem na carne, enquanto o Seu Morango vive na sombra, tranqüilo, lá no alto?

Deus, que é atento a todas as suas criaturas, pensou e repensou. Apontando o dedo indicador para o morango e para a jaca, ordenou:

– Seu Morango e Dona Jaca, ordeno que deste momento em diante suas moradias se invertam para que vocês sejam completamente felizes.

E a palavra do Senhor se fez verdade.

Ainda hoje existem poetas inconformados com jacas dinossáuricas penduras nas alturas e delicados morangos serpenteando na terra.

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Enquanto meu poema não vem,
presenteio com “If” você.

Desconsidere – ou não – minhas anotações.
Mando a tradução de Guilherme de Almeida.

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais –tu serás um homem, ó meu filho!

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A gente deu antes!

Hoje, no UOL!

Aqui, em agosto de 2009:

Batatinha no azeite,
salsicha-aperitivo.

Sanduichão de pão Pullmann
coberto com maionese
enfeitado com uma flor de tomate.

Tubaína quente
e coxinha fria.

Depois, o bolo
de abacaxi com ameixa
embrulhado em papel alumínio.

Ai que vontade
de ir em festa de pobre!

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