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Arquivo da categoria ‘Diário da dama da lotação’

Todo dia, 9:22, um trem passa reto na estação Vila Madalena. O trem inventa um vento bom. O metrô fantasma voa rasante, insubordinado, ruidoso. Eu queria tanto saber para onde vão as janelas vazias?

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Encontros

Na entrada, Jesus dá passagem para Chico Xavier. No banco, Nietzsche conversa civilizadamente com Kant. Kafka reconhece Stephanie Meyer no Crepúsculo. O metrô é a única democracia possível entre nós.

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Leves lordoses enfeitam corpos-plumas. Nas japonesas temporárias, coques repuxam os olhos brilhantes de tanta maquiagem. Os pés pisam para fora no fim das pernas embaladas em meias cor-de-rosa. Em cada estação, mais um pliê entra no metrô.

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