No pesadelo bom que tive,
presente de Ano Novo do meu inconsciente,
eu aparecia nua, sentada no chão,
da cozinha da casa onde cresci.
Chorando, babando, gritando,
me agarrava às samambaias
espadas de Ogum e outras plantas de terreiro.
Meu pai aparecia, impiedoso, aos berros:
- Filha, você não escuta a campainha?
A resposta, balbuciada,
“claro que não, pai. Não ouço mais nada,
não vejo mais nada, não sei mais nada”.
Preciso sair daqui.
(corta)
E no telefone celular, outro homem a gritar.
E eu pensando: preciso me livrar dele.
Preciso sair daqui.
(corta)
Chefe de cara feia.
Não faço ideia do que fiz de errado.
Estou por um triz.
Preciso sair daqui.
(corta)
Vou perguntar para a mãe de santo
por que todo terreiro tem samambaias?