O não-figurino. A não-coreografia. A não-música. A não-cor. A não-dança.
Estou cansada de tanta negação. Ontem fui ao Teatro Bradesco, no Shopping Bourbon Pompeia, ver o balé Quasar. Fazia tempo que eu não via esta companhia, que gosto muito. Me decepcionei, porque esperava que os bailarinos se movimentasse de pé, e não deitados. Com roupas, e não de cueca, calcinha e blusas que pareciam pijamas, sempre brancos, beges ou “nude”, como a moda manda dizer.
Pelo menos o piso era deslumbrante: um tapetão quase branco – offwhite, gelo ou algo assim – fofo, daqueles gostosos de pisar descalço com pés molhados, saindo do banho quente.
Já vi Pina Bausch duas vezes, Corpo, Deborah Colker e outras trupes contemporâneas algumas vezes. Mas não entendo nada de dança, apenas gosto bastante. E está cada vez mais difícil assistir um espetáculo que vá além do break tropical, aqueles movimentos tortos, malemolentos, entre o robô e a boneca de pano, ao som de um samba-Céu com toques eletrônicos de fábrica. Os super bailarinos desafiam a lei da gravidade e tantas outras, mas muitas vezes parecem peixes fora d´água, agonizando na pia.
Adoro ver coxas e bundas e abdomes perfeitos engalfinhando-se no palco. Sim, desperta meu apetite sexual, amplia minha percepção sensitiva de mundo. E depois? O que os corpos embolados no chão querem dizer? Qual é o conceito? Se for a imagem pela imagem, vira um pornô de luxo, eunuco ainda por cima.
Ah! Gostei muito da iluminação, impecável, criativa, colorida. Mas é a mesma sensação de quando você sai do cinema, alguém te pergunta se gostou do filme e você só consegue dizer “A fotografia é maravilhosa”. Nas entrelinhas, algo como “o resto é uma merda”.
Sei que faz tempo que a arte é mais do que o retrato do belo, mas não custa harmonizar um pouquinho, né? Acho que estou ficando velha, ranzinza. Melhor assistir House em casa ou ler Pornopopéia.
