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Risco

Ganhei uma vitrola.
Lembrei de como é chato
um disco riscado.

Interrompe a música
na melhor parte.

Pula e repete
a mesma palavra.

Engasga e trava,
insiste no mesmo ponto.

E não desenrosca,
não vai pra frente
nem pra trás.

O pior é olhar para a vitrola
e me identificar
com o disco riscado
que não para de girar
sem sair do lugar.

Vale a pena

Quem foi na Balada Literária já viu. Vale muito a pena ver de novo.
O vídeo/canção chama-se “Coisa de cinema”, do coletivo Muito Barulho por Nada, do meu amigo criativo Pardal.
O texto e a leitura é do Gabriel Camões.

Receita de Kafka

Kafka bateu na minha porta
e pediu para eu experimentar:

me ensinou
a esticar o braço,
tomar na veia,

injetar um pouco
de sangue de barata
e ver no que dá.

Meu ex-amor

Agradeço a você
todos os dias,
de coração,
pelas noites de sexo magnífico
seguidas de solidão.

Obrigada, meu ex-amor,
por tudo o que me fez
de mal.

Você foi o homem que me ensinou
a chorar na sarjeta,
a cheirar no banheiro
e a chover poesia
por aí.

O novo aniversário

Meu dia está chegando. E veio uma estranheza com gosto de pão amanhecido na minha cabeça. Não é saudosismo, eu juro.  

As crianças não apagam mais vela no aniversário. Não inflam as bochechas nem digladiar com a vela – azul de menino ou rosa de menina - que volta a acender de tanta teimosia. Até a chama morrer e virar um fio de fumaça.  Agora a vela é um fogo de artifício, explode estrelas brancas, gira, apita. Só falta falar. Quer dizer, alguém me disse que tem uma vela que canta.

E o bolo tem a cara da criança, uma fotografia horrorosa, impressa numa tal pasta americana que tem gosto de reboco misturado com isopor. O brigadeiro tem o mesmo gosto do beijinho que é igual ao cajuzinho. Gosto de lata. Nem o granulado resistiu. Virou bolinha crocante, branca ou preta, que é grande demais, doce demais. Demais.

O “parabéns” também mudou.  É mistura de Xuxa com axé.  E tem “hey” no meio, comandado por animadores. Não é mais surpresa quem puxa o “E pro fulano? Nada? Tudo! Então como é que é?”. Os animadores cuidam de tudo.

A única novidade que eu realmente acho genial é a piscina de bolinhas…

Shrek

Outro dia inventei uma palavra: ogressividade. Assim mesmo, com “ogro” no começo. Palavra verde e horrorosa, claro. Que fugiu da minha boca feito baba de neném e foi parar no ouvido de uma motorista que fechou meu carro. Quase bati. Nela. “Quanta ogressividade!” E aí, no grito, nasceu a palavra que já deve ter sido dita por aí, mas que eu revindico a autoria se precisar.

Balada Literária

Amigos, amigos de amigos, e curiosos em geral,

Para quem ficar no feriadão da Consciência Negra (tô até agora tentando entender o que quer dizer isso…), a Balada Literária vai agitar a Vila Madalena e arredores, com muitos escritores bacanas, tudo free.

Vou participar de uma mesa com jovens poetas no dia 21, sabado, às 14h30, na biblioteca alceu amoroso lima (na henrique shaumann). Vai ser uma conversa entre nós, falando de como é produzir e divulgar poesia hoje (com a ajudinha da internet, claro), e cada um vai ler alguns poemas. 

Meus colegas de mesa são Hugo Guimarães (de Poesia Gay Underground), Jesús Ernesto Parra (venezuelano, de Sombras que Cruzan las Paredes) e Maria Rezende (carioca, de Bendita Palavra), com mediação do Binho(poeta, criador do Sarau do Binho).

Entre os destaques da programação estão as mesas com Lygia Fagundes Telles (22.11, 14h30, na Livraria da Vila); o encontro de João Gilberto Noll com Santiago Nazarian (22.11, 11h, Livraria da Vila); o programa de TV que será gravado com os biógrafos Lira Neto (Maysa) e Fernando Morais (Paulo Coelho, Chatô, Olga, etc.) (22.11, 17h, no Centro Cultural b_arco); a palestra do português José Luís Peixoto (19.11, 19h, SESC Pinheiros); e o bate-papo entre Xico Sá, Mário Prata, Matthew Shirts e Reinaldo Moraes, escritores boêmios que praticamente fundaram a Mercearia São Pedro, o mais literário dos bares de SP (20.11, 16h30, Livraria da Vila).

No dia 20.11, no SESC Pinheiros, tem show do pianista-prodígio pernambucano Vitor Araújo com os cantores Fabiana Cozza e Rubi.

João Ubaldo Ribeiro chega para a Ressaca Literária, dia 29.11, às 17h, também no SESC, encerrando o evento em grande estilo.

Para ver toda a programação, clique AQUI

Eu preciso aprender a voar
nem que seja baixinho
rasante
ou aos pulos
como as galinhas
e os louva-deus.

Nem que seja
como um filhote
que às vezes levanta vôo
e outras despenca
das nuvens.

Eu preciso aprender a voar
nem que seja
por um segundo,
sem sair do lugar.

Fliporto para depois

Amigos e visitantes deste blog,

O vídeo fez sucesso mas o prêmio não veio. Vou ficar por aqui mesmo, na terra da garoa que não tem verão, e Porto de Galinhas só no ano que vem. 

Quem não viu “Lição de casa” assista AQUI.

Agradeço a equipe maravilhosa que trabalhou duro nesse projeto – meu primeiro poema filmado – e a todos vocês, que viram e votaram no vídeo.

Para conhecer os vencedores, cliquem AQUI.

Bjs,
Analu

Vote em mim!

Pessoal,
Tudo bem? Meu vídeo  “Lição de Casa”, baseado no poema de mesmo nome (também conhecido como “Catapora”, é um dos finalistas do Prêmio Internacional de Poesia ao Vídeo, da Fliporto! Está entre os 70 classificados dos 330 inscritos.

Please assistam, votem e repassem para os amigos. Tanto os vídeos quanto a votação estão por ordem alfabética. Direto no “L”, hein?!Agradeço de coração a todos os participantes… e a quem votar em nós!!! Depois eu pago uma cerveja para vocês. hehe.VOTE AQUI:

Foi um trabalho há várias mãos (e cabeças) com Fernando Muylaert (direção), Larissa Castro (pequena atriz), Juliana Muylaert (grande atriz), Emiliano Castro (trilha sonora, violão de 7 cordas e cavaquinho), Andre Caccia Bava (gravação), Eduardo Muylaert e Helo Mello (fotografia still), Ilana Bessler e Marcos Kubota (assistentes de fotografia).

 

 

ou use o link abaixo.
http://www.fliporto.net/votacao2
Bjs,
Analu Andrigueti

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